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César não acredita que um socialista prefira um executivo PSD/CDS a um do PS
INSERIDO EM 2015/11/04

O presidente do PS, Carlos César, afirmou hoje que não acredita que um socialista prefira um Governo PSD/CDS-PP com o apoio do partido a um Governo socialista com o apoio do PCP e do Bloco de Esquerda

Carlos César, líder da bancada do PS, falava aos jornalistas após ter estado reunido com o ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Costa Neves, depois de questionado sobre a perspetiva de criação de uma corrente liderada pelo eurodeputado socialista Francisco Assis, que se reúne no sábado na Mealhada para contestar um eventual acordo do PS com o PCP e Bloco de Esquerda.

"Como socialista digo apenas: Não acredito que um socialista prefira um Governo de direita com o apoio do PS a um Governo do PS com o apoio da esquerda", declarou o ex-presidente do Governo Regional dos Açores entre 1996 e 2012.

Na primeira reação de um alto responsável do PS à iniciativa de contestação lançada por Francisco Assis contra a direção de António Costa, Carlos César optou também por desdramatizar o caráter do encontro, alegando que "os partidos políticos são formações plurais, sendo mesmo autênticas coligações no seu interior".

"Portanto, é legítimo e até desejável que o PS tenha opiniões divergentes sobre esse assunto [acordo de Governo com PCP e Bloco de Esquerda], como teria, de resto, se estivéssemos a fazer o percurso contrário. Se estivéssemos a consumar um acordo com o PSD e com o CDS, certamente que teríamos um conjunto de camaradas nossos que estariam reunidos (não sei se na Mealhada ou em outro local) a reclamar contra um acordo dessa natureza, pedindo antes um acordo com o PCP e com o Bloco de Esquerda", referiu o presidente do PS.

Interrogado sobre o risco de o PS ficar manietado pelo PCP e pelo Bloco de Esquerda, o líder da bancada socialista contrapôs: "O lado inverso dessa reflexão diria que o PS ficaria manietado pela direita, refém de um continuo apelo ao ‘sim' em todas as circunstâncias em nome de um interesse nacional que fosse invocado".

"Portanto, o PS decidirá de acordo com a sua melhor interpretação do interesse nacional, que passa por uma mudança de políticas pondo termo a uma austeridade excessiva, garantindo estabilidade, uma trajetória orçamental compatível com os nossos compromissos europeus e o respeito pelos nossos compromissos internacionais", disse.

Sobre a decisão de Francisco Assis avançar já no sábado com uma iniciativa de contestação, não aguardando pelo congresso do PS, Carlos César referiu-se da seguinte forma ao cabeça de lista socialista nas últimas eleições europeias: "Francisco Assis é um ativo precioso do PS e, enquanto ele se movimentar naquilo que julgar ser a sua melhor interpretação do interesse nacional e do PS, devem ser sempre saudadas as suas ações e decisões".

Fonte : Açoriano Oriental
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