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Investigador quer "estratégia mais coerente" para gerir recursos oceânicos
INSERIDO EM 2012/06/19
O diretor do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores recomendou  ao Governo uma "estratégia mais coerente" para proteger os recursos marinhos e da plataforma continental português.

As riquezas existentes na enorme extensão de oceano sob a responsabilidade de Portugal obrigam a que o país tenha que definir uma estratégia que garanta uma exploração sustentável e assegure a defesa dos interesses económicos nacionais, sustentou Hélder Silva, na véspera da conferência do Rio de Janeiro sobre Ambiente (Rio+20), onde será debatida a gestão dos oceanos.

É necessário um “investimento” concreto e “uma estratégia mais coerente. Precisamos de defender e proteger os nossos interesses económicos, mas temos meios escassos e pouco adequados às necessidades de cobertura de um espaço atlântico alargado, com uma riqueza crescente e tendência para aumentar", afirmou o investigador.

Hélder Silva recordou que a zona atlântica portuguesa, com a extensão da plataforma continental, pode atingir quase quatro milhões de quilómetros quadrados, considerando ser "fundamental" a definição de prioridades nesta área.

"Nunca foi tão importante como hoje estabelecer prioridades, é fundamental que o país perceba o que é prioritário", frisou o diretor do DOP em declarações à Lusa, alertando que "se o país quer ir pelo caminho do mar, isso não se faz sem investimento".

Nesse sentido, defendeu que "atirar umas migalhas para aqui e para ali não resolve os problemas, tem que haver uma estratégia clara, uma determinação de prioridades e uma alocação de recursos de acordo com as necessidades de implementação desta estratégia".

Para Hélder Silva, que dirige um dos centros de investigação mais importantes a nível internacional na área das ciências marinhas, "o país tem registado algumas dificuldades em fundamentar no mar o seu crescimento económico".

As pescas e a diminuição dos bancos de pesca são um sinal da falta dessa estratégia: "Temos um grande nível de biodiversidade, o que é bom, mas não do ponto de vista da exploração pesqueira, onde era preferível ter apenas meia dúzia de espécies e centrar nelas a atenção", salientou, acrescentando que existem “muitas dezenas de espécies com interesse comercial, mas nenhuma que se afirme pela abundância a nível mais global".

Hélder Silva apontou, no entanto, o caso do peixe-espada preto, para onde se tem tentado redirecionar o esforço de pesca nos Açores, que possui recursos que "sustentariam capturas na ordem das 20 mil toneladas/ano, o que é mais do que o total de pescas de todas as outras espécies juntas".

As riquezas marinhas não se limitam às pescas, sendo certo que existem "recursos ao nível mineral que podem ser explorados em profundidade", além do "grande potencial" das biotecnologias.

"O facto de termos uma grande biodiversidade potencia uma maior facilidade em encontrar espécies que tenham compostos que possam ser utilizados a diversos níveis, nomeadamente na farmacologia", afirmou o diretor do DOP, salientando também que a aquacultura oceânica é uma área em que Portugal pode apostar.

"Temos que pensar se queremos dar um salto para outro nível na aquacultura, que é, incontornavelmente, o futuro", frisou, acrescentando que a tecnologia "começa a estar desenvolvida a um ponto em que faz sentido direcionar o esforço para jaulas no alto mar para produzir peixes".

Ao nível da preservação dos recursos, Hélder Silva destacou a "rede de áreas marinhas protegidas exemplar a nível mundial" que foi criada em redor das ilhas dos Açores, no mar alto e junto das fontes hidrotermais existentes para além do limite das 200 milhas da zona económica exclusiva.

"Temos cumprido as normas internacionais sobre limites de capturas de diversas espécies, temos estabelecida uma rede marinha de áreas protegidas, mas não basta criá-las, é preciso fiscalizar, monitorizar", afirmou.

"O DOP tem procurado afirmar-se na aquisição de conhecimentos na área do mar, mas a verdade é que o país, dada a dimensão do nosso mar, tem uma expressão do ponto de vista científico bastante reduzida a nível internacional", frisou.

Fonte : Açoriano Oriental
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